AMOR INFINITO

D. Inês de Castro e D. Pedro I



O amor, a pior das maldições

O Jarmelo foi um dos palcos da trágica história de amor de D. Pedro e D. Inês

É logo ali ao lado de quem passa, naturalmente apressado, na A25, depois da Guarda e no sentido de Vilar Formoso. Há um cabeço que se destaca de todo o planalto. São as terras do Jarmelo e têm tanto de históricas como de lendárias. Terras de maldição e, afinal, terras de amor.
Por aqui passaram D. Pedro e Inês. E os resquícios da mais bela e trágica história de amor da nação. Uma espécie de Romeu e Julieta à portuguesa, pois então. Ou, pelo menos, com um final igualmente trágico. O Jarmelo, terra orgulhosamente beirã, aparece ligada, irremediavelmente, a essa tragédia. É que foi aqui que nasceu, por má sina e infortúnio, Pêro Coelho, um dos executores da "bela com o corço de garça". Por isso, e em jeito de vingança desesperada, D. Pedro mandou salgar as suas terras, num gesto decisivo de maldição e extermínio, mal subiu ao trono. Pouco depois de murmurar as históricas palavras: "Adeus Vila do Jarmelo/Adeus pedra de montar/ Enquanto o mundo for mundo/Tributo hás-de pagar". Reza a história que, por causa dos amores e dissabores do infante, a vila sofreu uma atrocidade que ficaria para sempre visível. D. Pedro determinou que no Jarmelo não ficasse pedra sobre pedra – salgando-se os terrenos. Os habitantes foram empurrados para as terras vizinhas. (…)
Fruto ou não da maldição, a verdade é que o Jarmelo de hoje nem sequer é um povoado. Ninguém habita as suas casas totalmente desmoronadas, dispersas no alto de uma colina abrupta e pedregosa. Testemunho da grande solidão das Beiras. (…)


Excertos do Artigo escrito por Rosa Ramos no jornal Interior, edição de 15 de Janeiro de 2009

Sem comentários: