
O nosso banquete real
A ementa que apresentamos aos nossos comensais estava recheada das mais diversas iguarias.Todos os que se sentaram à nossa mesa puderam "saborear" o "prato" que pediram... Na nossa biblioteca pusemos uma mesa medieval com adereços desta época. Os convidados que se sentaram à “Mesa de Leituras” confrontaram-se com uma variedade de sugestões,que entre outras, incluía " A Trança de Inês " regada com mel e sumo de romã do livro de receitas de Rosa Lobato Faria, até uma "Lenda de Pedro e Inês" cozinhada em lume forte com ervas amargas da despensa de D. Afonso IV.

Ele ama-me, defende-me com os seus carinhos
Protege-me com o seu amor
Com o seu manto púrpura e arminhos
Cobre-me na noite fria, escura de breu…
Naquela tarde em que partiste
E eu fiquei…
Sozinho nesta imensa solidão
Vendo o punhal que trespassa
À minha doce Inês, o coração.
De olhos sombrios, D. Pedro
Vê perdido o seu amor
Vê perdido o seu tesoiro
O vento irado nas frestas chora…
A morte de D. Inês
Textos realizados na aula de escrita criativa no dia 9 de Março de 2010

“La Reine Morte", de Henry de Montherlant é a obra que serve de inspiração ao filme que retrata o tema mais apaixonante da história portuguesa: o romance trágico de D. Pedro com Inês de Castro.No filme, os protagonistas são franceses e é falado em língua francesa. No entanto na película há actores portugueses de renome.Entre os actores mais conceituados destaque para Michel Aumont, no papel de rei, Goëlle Bonna, no papel de Inês de Castro, Thomas Jouanet, no papel de Pedro, Astrid Bergès-Frisbey, no papel de Infante e Aladin Reibel, no papel de Egas Coelho.A película conta também com um leque de actores português, como André Gago, António Montez, Gonçalo Dinis e António Fonseca.
Locais de filmagem
Coimbra
Guimarães (Paço dos Duques de Bragança)
Montemor-o-VelhoTomar (Convento de Tomar)

A primeira ópera dedicada a Inês de Castro foi escrita por Gaetano Andreozzi (1755-1826), tendo sido estreada em 1793, na lindíssima e envolvente Florença. No ano seguinte, 1794, estrearia em Nápoles a “Inês de Castro” de Giuseppe Francesco Bianchi (1752-1810), numa época em que aquela cidade era um dos grandes centros operáticos.
Século XIX
Em 1806 foi estreada outra ópera intitulada “Inês de Castro” em Nápoles, em 1806 da autoria de Giuseppe Farinelli (1769-1836) que pouco terá a ver com o celebrizado castrado Farinelli.A ópera "Inês de Castro" de Giuseppe Persiani foi estreada em Nápoles, no seu Teatro S. Carlo, em 28 de Janeiro de 1835, tendo desde logo alcançado enorme sucesso perante o público e a crítica, facto que lhe permitiu estar em cena durante cerca de 16 anos, em mais de 60 produções diferentes.Em Lisboa, o Teatro de S. Carlos assistiria em 1841 à estreia de uma outra ópera "Inês de Castro", escrita por Pier Antonio Coppola (1793-1877), marcando a importância então conseguida por aquele Teatro a nível europeu.
Século XX
A tragédia de Inês de Castro inspirou também um compositor de música culta contemporânea, James MacMillan, nascido em 1959. A ópera "Inês de Castro" concebida por aquele autor foi estreada em 23 de Agosto de 1996, na edição desse ano do notabilizado Festival de Edimburgo, pela Scotish Opera Orchestra, com encenação de Jonathan Moore.Mais recentemente, um jovem compositor suíço Andrea Lorenzo Scartazzini (nascido em 1971) foi o autor de “Wut”, uma opera em língua alemã estreada no Teatro Erfurt (Alemanha) em 9 de Setembro de 2006.
Os Lusíadas- Inês de CastroA morte de Inês de Castro é um dos mais belos episódios líricos presentes na epopeia e pode-se mesmo considerar que as principais características da tragédia clássica estão patentes:
Há o desenvolvimento de uma acção, que termina com a morte da protagonista;
Observa-se a lei das três unidades (acção, tempo e espaço);
Há uma motivação para sentimentos de terror e piedade pelo uso de contrastes;
A catástrofe é simbolizada pela morte da protagonista.
Tal como o episódio da “Fermosíssima Maria”, também este se divide em três partes.
A primeira, referente as causas da morte de Inês, vítima do amor.
A segunda, constitui o desenvolvimento em que se descreve o modo de vida feliz e despreocupado que Inês tinha em Coimbra - é apresentada a razão de estado para que Inês deixe a vida, pois o perigo que representa a ligação de D. Inês com D. Pedro, receia o domínio espanhol.
O poeta põe em questão a grandeza moral do Rei por solucionar o problema de seu reino mandando matar a sua própria filha:
“Tirar Inês ao mundo, determina”;
“Que furor consentiu que a espada fina,
Que pôde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Contra üa fraca dama delicada?”.
Também nesta segunda parte é redigido o discurso suplicante de Inês ao rei de Portugal, seu pai. Ela utiliza súplicas e argumento para comover o Rei na sua determinação - apresenta a sua situação de mãe e a orfandade de seus filhos, declara-se inocente perante toda a situação de futuro conflito, comove o rei dizendo-lhe que sendo um cavaleiro que sabe dar morte, também sabe ”dar vida, com clemência” e como alternativa à morte, dá preferência ao exílio.
A terceira e última parte, constitui a reprovação do narrador, sublinhada pelo pranto comovente das “filhas do Mondego” e pela animização da Natureza, que chora a morte de Inês, sua antiga confidente.

D. Pedro I nasceu em Coimbra a 8 de Abril de 1320 e morreu em Lisboa a 18 de Janeiro de 1367. Casou em 1328 com a princesa D. Branca de Castela, não se consumando o matrimónio por doença da noiva.
Em 1334 tratou-se de um novo consórcio com a infanta D. Constança, que nasceu em data incerta e morreu em 1345, filha de D. João Manuel, infante de Castela. Tiveram a seguinte descendência: D. Maria; D. Luís, (nasceu em 1344 e morreu uma semana depois; D. Fernando, que herdou a coroa. De uma nobre castelhana, D. Inês de Castro, nascida ao redor de 1325, tendo morrido em Coimbra em 1354, foi sepultada em Alcobaça em 1361, filha de D. Pedro Fernandes de Castro a de D. Aldonça Soares de Valadares, teve os seguintes filhos: D. Afonso (morreu de tenra idade); D. João, D. Dinis e D. Beatriz. De uma Teresa Lourenço, nasceu em 14 de Agosto de 1356 D. João, que veio a ser Mestre de Avis e o primeiro rei da segunda dinastia.
A ligação amorosa entre o infante D. Pedro e Inês de Castro foi imediata o que provocou forte conflito entre D. Afonso IV e seu filho e provocou a morte prematura de Constança Manuel. Temendo o monarca a nefasta influência dos Castros em seu filho, resolveu condenar à morte Inês de Castro, o que provocou a rebelião de D. Pedro contra si. Contudo a paz entre o pai e o filho foi estabelecida em breve e D. Pedro foi associado aos negócios do Estado, ficando-lhe desde logo incumbida uma função, que sempre haveria de andar ligada à sua memória – a de exercer justiça.
Durante o seu reinado evitou guerras e exerceu uma justiça exemplar, sem discriminações, julgando de igual modo nobres e plebeus.
Os documentos coevos e o testemunho de Fernão Lopes definem-nos D. Pedro como justiceiro, generoso, folgazão, amado pelo povo e de grande popularidade. Em relação á sua morte o povo dizia que «ou não havia de ter nascido, ou nunca havia de morrer».
In Portal da História

D. Pedro I está representado também com a expressão tranquila, coroado e rodeado por anjos. Segura o punho da espada na mão direita, enquanto com a esquerda agarra a bainha. Nas faces do túmulos estão representadas: nos frontais, a Infância de S. Bartolomeu e o Martírio de S. Bartolomeu e, nos faciais, a Roda da Vida e a Roda da Fortuna e ainda a Boa Morte de D. Pedro. Neste túmulo destaca-se o facial da cabeceira onde está representada a Roda da Vida e a Roda da Fortuna. A Roda da Vida possui doze representações com os momentos da vida amorosa e trágica de D. Pedro e de D. Inês: D. Inês acaricia um dos filhos; o casal convive com os três filhos; D. Inês e D. Pedro jogam xadrez; os dois amantes mostram-se em terno convívio; D. Inês subjuga uma figura prostrada no chão; D. Pedro sentado num grandioso trono; D. Inês apanhada de surpresa pelos assassinos enviados pelo rei D. Afonso IV; D. Inês desmascarando um dos seus assassinos; degolação de D. Inês; D. Inês já morta; castigo dos assassinos de Inês; D. Pedro I envolto numa mortalha. Na Roda da Fortuna podemos observar (no mesmo sentido da Roda da Vida): D. Inês sentada à esquerda de D. Pedro (por ainda não estarem casados); o casal troca de posição (D. Inês sentada à direita de D. Pedro, o que indica que já estão casados); D. Pedro e D. Inês sentados lado a lado parecendo um retrato oficial; D. Afonso IV a expulsar (pelo apontar do dedo) Inês do reino; D. Inês repele um homem que parece ser de novo D. Afonso IV; D. Pedro e D. Inês prostrados no chão subjugados pela figura híbrida da Fortuna que segura com as mãos a roda.

Inês de Castro está representada com a expressão tranquila, rodeada por anjos e coroada de rainha. A mão direita toca na ponta do colar que lhe cai do peito e a mão esquerda, enluvada, segura a outra luva. Os temas representados no túmulo são: nos frontais, a Infância de Cristo e a Paixão de Cristo e, nos faciais, o Calvário e o Juízo Final. Neste túmulo salienta-se um dos faciais, que representa o Juízo Final. Pensa-se que D. Pedro, com a representação desta cena dramática da religião cristã, quis mostrar a todos (inclusive a seu pai e aos assassinos) que ele e Inês tinham um lugar no Paraíso.
Podemos observar também a figura de Cristo entronizado, e a Virgem e os Apóstolos que à sua direita rezam. Em baixo estão representados os mortos que se levantam das suas sepulturas para serem julgados.

"O amor de Pedro e Inês, contado aos pequenotes”, de Vanda Furtado Marques, é o primeiro livro de uma colecção que promete fazer chegar aos mais pequenos algumas das mais bonitas passagens da História de Portugal.O livro tem ilustrações de Susana Silva, contando ainda com a colaboração de Inês Ferreira, educadora de infância, que tratou sobretudo da vertente pedagógica. “O amor de Pedro e Inês” é o primeiro livro da colecção “Contado aos Pequenotes”, tirado da gaveta vários anos depois de ser escrito por Vanda Marques para preencher uma lacuna na literatura infantil. De forma muito simples e clara, em resultado da linguagem e do discurso acessíveis, o livro recria, para o universo dos pequenos leitores, a história dos amores trágicos de Pedro e Inês. Sem excessivas preocupações didácticas, o texto recupera os momentos chave daquele episódio cujo simbolismo e significado tem atraído diferentes gerações. Com recurso a ingredientes e fórmulas dos textos tradicionais, em particular dos contos de fadas, a intriga dá conta dos obstáculos colocados ao par amoroso e a forma como, mesmo depois de mortos, puderam ficar juntos.

Dos olhos corre a água do Mondego
os cabelos parecem choupais
Inês! Inês! Rainha sem sossego
dum rei que por amor não pode mais.
Amor imenso que também é cego
amor que torna os homens imortais.
Inês! Inês! Distância a que não chego
morta tão cedo por viver demais.
Os teus gestos são verdes os teus braços
são gaivotas poisadas no regaço
dum mar azul turquesa intemporal.
As andorinhas seguem os teus passos
e tu morrendo com os olhos baços
Inês! Inês! Inês de Portugal.

A primeira aparição dos amores de D. Inês na literatura dá-se com as Trovas à Morte de Inês de Castro, de Garcia de Resende, no Cancioneiro Geral de 1516;
A tragédia foi também representada entre o povo, com o teatro de cordel;
Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões, constituíram a o maior influência na lenda, com o episódio da "linda Inês" nas estrofes 120 a 135 do Canto III;
A tragédia A Castro (1587), a primeira tragédia clássica portuguesa, de António Ferreira, foi baseada na sua vida;
Bocage dedicou-lhe uma cantata;
Foi com o Romantismo em Portugal que aumentou o interesse pelos factos históricos associados ao episódio; Alexandre Herculano e Oliveira Martins, entre outros, procuraram investigar, com algum rigor, as pessoas e factos históricos;
Os amores de D. Inês popularizaram-se na literatura erudita, entre outros com os árcades Manuel de Figueiredo e Reis quita;
Em 1986, Agustina Bessa-Luís (1922-) publicou as Adivinhas de Pedro e Inês;
Outros autores, tais como Luís Rosa e João Aguiar, publicaram livros sobre a trágica vida de Inês de Castro (O Amor infinito de Pedro e Inês e Inês de Portugal, respectivamente).
Quinta das Lágrimas...onde tudo terá acontecido!
A literatura portuguesa associa fortemente a história de amor de D. Pedro e da fidalga D. Inês à Quinta das Lágrimas. Diz-se que lá se passaram as suas “fugidas” às escondidas para namorarem e para se encontrarem. Lá viveu-se assim uma história de amor que dura a mais de 450 anos. D. Inês terminou assassinada à ordem de Afonso IV. As lágrimas derramadas por Inês e pelo povo em sua memória inspiraram Luís de Camões a criar o nome de Fonte das Lágrimas e muitos outros escritores a confirmar o amor eterno de Pedro e Inês.
Os cabelos que recordam o maior romance da História

E como vieram alguns cabelos de Inês de Castro ter às mãos do advogado José Miguel Júdice? "O bisavô do meu avô foi ajudante de campo do Duque de Wellington e, como os seus oficiais sabiam que ele era dono da Quinta das Lágrimas – onde se diz que Inês de Castro morreu – fizeram um pequeno relicário e ofereceram-lho como recordação", conta o próprio. E são mesmo os cabelos de Inês de Castro? "De certeza absoluta. A informação foi transmitida de geração em geração. Existem, aliás, mais alguns cabelos retirados na mesma altura do túmulo, um dos quais foi levado por D. João VI para o Brasil e outro que fazia parte da colecção do fundador do Museu do Louvre, Denon". Estes cabelos repousam na sala de estar de José Miguel Júdice até voltarem para o seu lugar, em Coimbra. "O curioso é confirmar-se que Inês tinha o cabelo louro, o que era raro em Portugal". (…)
E sobre Pedro e Inês? "Não é possível distingui-los: "Somos uma coisa nós/ Em ambos um só fim,/ Eu não sou em mim sem vós,/ Nem vós não estais sem mim", disse o poeta Sá de Miranda". Como em todas as histórias de amor perfeitas, os amantes não se distinguem.

Um bailado...de amor
O amor, a pior das maldições

É logo ali ao lado de quem passa, naturalmente apressado, na A25, depois da Guarda e no sentido de Vilar Formoso. Há um cabeço que se destaca de todo o planalto. São as terras do Jarmelo e têm tanto de históricas como de lendárias. Terras de maldição e, afinal, terras de amor.
Por aqui passaram D. Pedro e Inês. E os resquícios da mais bela e trágica história de amor da nação. Uma espécie de Romeu e Julieta à portuguesa, pois então. Ou, pelo menos, com um final igualmente trágico. O Jarmelo, terra orgulhosamente beirã, aparece ligada, irremediavelmente, a essa tragédia. É que foi aqui que nasceu, por má sina e infortúnio, Pêro Coelho, um dos executores da "bela com o corço de garça". Por isso, e em jeito de vingança desesperada, D. Pedro mandou salgar as suas terras, num gesto decisivo de maldição e extermínio, mal subiu ao trono. Pouco depois de murmurar as históricas palavras: "Adeus Vila do Jarmelo/Adeus pedra de montar/ Enquanto o mundo for mundo/Tributo hás-de pagar". Reza a história que, por causa dos amores e dissabores do infante, a vila sofreu uma atrocidade que ficaria para sempre visível. D. Pedro determinou que no Jarmelo não ficasse pedra sobre pedra – salgando-se os terrenos. Os habitantes foram empurrados para as terras vizinhas. (…)
Fruto ou não da maldição, a verdade é que o Jarmelo de hoje nem sequer é um povoado. Ninguém habita as suas casas totalmente desmoronadas, dispersas no alto de uma colina abrupta e pedregosa. Testemunho da grande solidão das Beiras. (…)
Alguns... amores impossíveis no cinema
Casablanca - Rick (Humphrey Bogart) e Ilsa (Ingrid Bergman) viveram um grande amor no passado, mas ela desaparece repentinamente. Os anos correm, a Segunda Guerra Mundial chega e, com ela, o reencontro do casal. Porém, Ilsa já está comprometida com outro. O dilema de renunciar ao seu amor para salvar Ilsa e seu marido são o motor emocionante de "Casablanca".
Cidade dos Anjos - Um dos filmes mais tristes do cinema norte-americano, "Cidade dos Anjos" - na verdade uma adaptação do alemão "Asas do Desejo", de Wim Wenders - traz Nicolas Cage como um anjo que resolve auxiliar a cirurgiã Maggie (Meg Ryan). Sim, eles apaixonam-se e com o amor vem o dilema: ele deve tornar-se humano para viver o seu amor?
Titanic - Antes mesmo da tragédia que atingiu o navio "Titanic", o amor de Jack (Leonardo DiCaprio) e Rose (Kate Winslet) já contava com uma série de empecilhos para se concretizar. O principal deles era a diferença social, já que ela pertencia à alta sociedade, e o rapaz era pobre. O amor consegue sobrepor o abismo social, mas é destroçado com o choque do navio num iceberg.(...)Estavas, linda Inês, posta em sossego,De teus anos colhendo o doce fruto,Naquele engano da alma, ledo e cego,Que a Fortuna não deixa durar muito;Nos saudosos campos do Mondego,De teus formosos olhos nunca enxuto,Aos montes ensinando e às ervinhasO nome que no peito escrito tinhas. (…)

No tempo em que governava el-Rei D. Afonso IV, os casamentos eram todos combinados entre as famílias mais nobres da Europa e, assim, quando seu filho D. Pedro atingiu a idade de casar, ele mandou pedir a mão a D. Constança, uma jovem nobre que pertencia à família real castelhana.D. Pedro casou com D. Constança mas logo se apaixonou pela mais bela aia que acompanhava a sua noiva.A paixão entre eles era tão forte que não conseguiram esconder o amor que sentiam um pelo outro e todos perceberam, sendo este romance fonte de comentários por parte de todos na Corte. Também D. Constança se apercebeu deste romance e decidiu tratar do assunto de uma forma discreta, convidando D. Inês para madrinha do seu primeiro filho. Assim ela impedia que eles se pudessem encontrar pois os padrinhos eram considerados como irmãos dos pais e se continuassem o romance seria um crime castigado por lei.Contudo, uma semana depois do baptizado, a tragédia abateu-se sobre a casa real, o menino, de nome Luís, faleceu e logo estalou o falatório na Corte. Todos se puseram contra a Inês, culpando-a da morte do menino, acusando-a de não o ter apadrinhado com fé junto da pia baptismal! Mas, apesar de tudo, o amor foi mais forte e o romance entre Pedro e Inês continuou.Mais tarde D. Pedro ficaria viúvo. É nesta altura que D. Pedro se junta à sua amada e viveram felizes durante anos. Já com três filhos, decidiram mudar-se para Coimbra, num local que hoje é conhecido por Quinta das Lágrimas.Com esta mudança as intrigas voltaram e convenceram o rei de que a única forma de afastar Inês era matá-la! Um dia, sabendo que o príncipe não iria estar, o rei e três homens da Corte foram procurá-la.Tinham combinado matá-la assim que a encontrassem. Ela estava à beira de uma fonte e quando os avistou, soube logo ao que vinham.Ela suplicou ao rei que lhe poupasse a vida, pois era a mãe dos seus netos, ainda muito pequenos. O rei hesitou, e foi-se embora deixando aos seus homens a decisão final. Eles, sem qualquer tipo de remorso, apunhalaram-na, deixando D. Inês morta junto à fonte onde a encontraram, onde, segundo a tradição, o sangue que escorreu sobre as pedras nunca mais ninguém conseguiu apagar, como se fosse uma lembrança eterna do crime ali cometido.D. Pedro louco de dor e de raiva, jurou perseguir os assassinos de sua amada até que sua morte fosse vingada! E assim fez, revoltou-se contra o seu pai, destruindo muitos castelos e povoações.Só mais tarde aceitou fazer as pazes com o rei mas os carrascos de Inês não foram esquecidos e, assim que subiu ao trono, mandou capturá-los e condenou-os à morte.Diz a lenda que ele obrigou o carrasco dos assassinos retirar o coração de cada um deles e que mandou retirar D. Inês do túmulo, colocá-la no trono e ordenou que toda a Corte lhe beijasse a mão.
Isto seria a parte mais fantasiosa da história, mas de facto D Pedro mandou construir dois belo túmulos e colocá-los no Mosteiro de Alcobaça, para que os dois pudessem estar juntos para toda a eternidade, e quando tudo estava pronto ele organizou um cortejo fúnebre digno de uma Rainha de Portugal!
"O beijo",de Gustav KlimtInês Pires de Castro era filha bastarda de D. Pedro Fernandez de Castro, poderoso fidalgo castelhano, e irmã de D. Fernando e de D. Álvaro Pires de Castro, senhores de grande poder político e senhorial. A jovem veio para Portugal em 1340, integrada no séquito da princesa D. Constança Manuel, filha de D. João Manuel, respeitável opositor do então Rei de Castela, D. Afonso XI, aquando da celebração do casamento de D. Constança com D. Pedro, filho de D. Afonso IV, Rei de Portugal. O casamento, de conveniência, objectivava acalmar a exaltação dos monarcas, D. Afonso IV e D. Afonso XI, reis em permanente conflito, em estado de guerrilha mútua. D. Pedro, homem de natureza impetuosa e independente, apaixonou-se pela bela Inês, apelidada pelos poetas de "colo de garça". Ela passou a ser a alma gémea que o levou a desprezar as convenções cortesãs e a desafiar frontalmente tudo e todos. E, após a morte de D. Constança por ocasião do parto de seu filho D. Fernando, futuro sucessor de D. Pedro no trono de Portugal, o Infante assumiu, às claras, a ligação existente, indo mesmo viver com ela no Paço da Rainha, em Santa Clara, Coimbra. Contudo, entendia-se que a ligação era indecorosa pelos problemas morais e religiosos que levantava, bem como do perigo que trazia para o reino em virtude da influência da família dos Castros, que se insinuava junto do Infante, e assim, El-Rei decidiu pela execução de Inês. E, na fria manhã de 7 de Janeiro de 1355, quando a neblina do rio ainda não se havia dissipado, o executor régio, aproveitando a ausência do Infante para as suas habituais caçadas, penetrou no passo e ali decapitou "aquela que depois de morta foi rainha.
D. Pedro ordenou a transladação do corpo de Inês desde a campa modesta em Coimbra, para um túmulo delicadamente lavrado que mandou colocar no Mosteiro de Alcobaça. Posteriormente, D. Pedro mandou executar outra arca tumular, semelhante em arte ao da sua amada, colocando-a ao lado e nela quis ficar sepultado. E, até aos dias de hoje, os dois eternos namorados repousam juntos, separados pela pedra mas unidos pelo amor que não tem fim. Procurando dignificar o nome da sua amada, D. Pedro, declarou, apresentando testemunhas (D. Gil, bispo da Guarda, e Estevão Lobato, seu criado), que sete anos antes casara com ela em Bragança. A afirmação pública foi proferida em Cantanhede a 12 de Junho de 1360, quando se encontrava naquela povoação. Inês de Castro imortalizada em poemas de espectacular beleza e sensualidade, revivida em numerosos escritores de diversas línguas, enaltecida em composições musicais de rara sonoridade, recriada por pintores, escultores de todo o mundo, continua pródiga em alimentar homens e mulheres das ciências, das letras e das artes.
Foi por ti...
Deixar-me Pintar
Que sonhei colorir o mundo!
Descobri, em ti,
Mil tons que eu nem sabia haver!
Olha á volta, eu estou aqui:
A terra, o céu, o dia a nascer…
Vê mais fundo, eu estou em ti:
Num abraço fazemos o caminho.
Em que papel pintar tamanho amor
Se é muito maior que o mar?
Irei contigo onde quer que vás
Deixando-me pintar
E colorindo aqueles que eu abraçar
Deixar-me pintar


"O amor infinito de Pedro e Inês "
Neste romance de Luís Rosa não é só o tema que nos deleita, pela sua força inspiradora ao narrar uma das mais trágicas paixões que a nossa memória colectiva jamais esqueceu. É também a vibração da escrita de Luís Rosa que nos faz seguir página a página, numa leitura sem quebras, dando-nos o testemunho de um escritor que sabe contar como poucos. Luís Rosa tem esse dom de transmitir as emoções, dando-lhes uma força e comunicabilidade que dir-se-ia estabelecer uma relação de cumplicidade entre autor e leitor. È como se a história estivesse a ser revivida por quem escreve e quem lê. E tudo isto sem esquecer o rigor histórico posto na investigação dos personagens, do ambiente e sobretudo da intriga que culmina na tragédia que se abateu sobre o amor infinito de Pedro e Inês.














